Eu acertei 22 dos 26 convocados do Ancelotti para Copa do Mundo de 2026 e mesmo assim não gostei das escolhas. Ele se apoia em antigas muletas e flerta com hipotecar o futuro para tentar salvar o presente. O Brasil não será campeão já nesse ano, mas tem uma geração muito boa vindo aí. Ancelotti exagerou nos jogadores veteranos e não hesitou em manter as muletas deles.
Já passou muito da hora de Vinícius Júnior e Raphinha assumirem o protagonismo da Seleção. Até quando vão ficar na sombra de Neymar? Eles precisam ser a referência para a nova geração. Levar Neymar, Alex Sandro, Paquetá, Danilo (zagueiro), Weverton e afins, é impedir que novos rostos se acostumem com o peso da seleção e ganhem experiência.
A próxima geração, com Hugo Souza, Bento, Endrick, Estêvão, Beraldo, Murillo, Vitor Reis, Rayan, Vitor Roque, Marcos Leonardo é muito promissora e pode render mais frutos que as gerações anteriores, mas precisa de rodagem na Seleção desde cedo. É preciso se acostumar com a pressão da Seleção, se sentir confortável nesse ambiente.
O Brasil não tem, e nem forma, novas lideranças no elenco. Há anos são os mesmos jogadores com esse papel. É preciso sair da zona de conforto e assumir a responsabilidade, coisa que não está sendo feita naturalmente pelos atletas. A geração de Neymar não estará aí para sempre. Ancelotti, ao convocar os veteranos, corrobora com esse comodismo da geração atual. Se perder, a culpa será de Neymar, e não de Vini Jr., Raphinha e afins, que estão no auge.
Diniz e Dorival Júnior tentaram romper mais bruscamente com a 'velha guarda' e não deu muito certo. É pedir muito um meio-termo? Existe a possibilidade de mesclar mais veteranos e jovens. Digo mais: esse é o caminho que eu vejo como mais certo, mas não foi seguido ainda.
Teria colocado mais jovens para disputar essa Copa para que, em 2030, o Brasil tenha novas lideranças e jovens minimamente acostumados com o ambiente de pressão na seleção e na Copa do Mundo. Se não ganharmos essa Copa de 2026, vamos superar a maior seca de títulos de Copa da história do Brasil. E em 2030, teremos uma Seleção com pouca experiência e um longo jejum de herança.
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